15 de mar de 2015

Flamenco e palavras: A MUDEZ CANTADA, A MUDEZ DANÇADA (parte final)

e concluindo esta deliciosa leitura do conto de Clarice Lispector presente no livro 'Para não esquecer', trago um dos meus trecho favoritos com um dos videos que mais a ele me remete. Espero que tenham gostado de acompanhar comigo nestes meus domingos 'quase' ociosos os deleites de nossa querida escritora.

"A dança propriamente dita se inicia. O homem é moreno, miúdo; obstinado. Ela severa e perigosa. Seus cabelos foram esticados, essa vaidade da dureza. É tão essencial essa dança que maç se compreende que a vida continue depois dela: este homem e esta mulher morrerão. Outras danças são a nostalgia dessa coragem. Esta dança é a coragem. Outras danças são alegres.A alegria desta é séria. Ou é dispensada. É um triunfo mortal de viver o que importa. Os dois não riem, não se perdoam. Compreendem-se? Nunca pensaram em se compreender, cada um trouxe a si mesmo como único estandarte. E quem for vencido - nessa dança os dois são vencidos - não se adoçará na submissão, terá aqueçes olhos finalmente espanhóis secos de amor de raiva. O esmagado - os dois serão esmagados - servirá vinho ao outro como um escravo. Embora nesse vinho, quando vier a paixão e o ciúme, possa estar a morte. O que sobreviver se sentirá vingado. MAs para sempre sozinho. Porque só esta mulher era a sua inimiga, só este homem era o seu inimigo, e eles se tinham escolhido para a dança.

Nenhum comentário: