27 de out de 2011

PACO DE LUCIA

Paco de Lucia é maestro absoluto quando o assunto é guitarra flamenca. É praticamente impossível falar em música flamenca dissociada da figura serena de Paco ao violão, assombrando a todos com sua destreza, criatividade e poesia melódica. Pode-se afirma que foi um dos maiores responsáveis pelas mudanças mais significativas na execução deste gênero musical ao violão, sendo assim considerado, por muitos, o 'pai' do flamenco contemporâneo.
Iniciou aos doze anos, ao lado do seu irmão Pepe: eram 'Los chiquitos de Algeciras'. Neste período foi premiado no Concurso Internacional de Jerez (1962). Mas será ao lado de Camarón de la Isla, seu 'irmão flamenco', que construirá uma mundialmente sólida carreira no cenário flamenco.
Para compreendermos a importância deste talentoso músico espanhol, nada melhor do que as palavras de um profissional da área:

Paco de lucia por tito gonzales (em português)

Paco de lucia - Biografia (em espanhol)

CARMEN AMAYA

Carmen amaya é uma das internacionalmente mais conhecidas dançarinas de flamenco do século XX. Admirada por todos os que apreciam a arte flamenca, seu talento e personalidade a converteram em uma verdadeira lenda da dança andaluza.
Muitos foram os que se renderam aos encantos da abrasadora força de seu 'duende'. Charlin Chaplin, Greta Garbo, Orson Welles, Fred Astaire e até mesmo o presidente Whilston Churchill, lhe renderam os mais calorosos elogios de admiração. Foi também cantora, mas o seu talento para dança eclipsou essa faceta de sua carreira. Sua morte prematura, as lendas que até hoje são contadas em torno de sua maneira simples e generosa de tratar a todos e o seu talento nato, a converteram em uma das estrelas maiores da constelação dos artistas flamencos modernos.
Carmen amaya jamais entrou em um tablado ou escola de dança para aprender. Ela desenvolveu sua forma de dançar e cantar flamenco nas ruas de Somorrostro, bairro instinto de Barcelona, onde se apresentava para ganhar dinheiro. Das ruas passou para os grandes teatros de Madri, e de lá para o mundo realizando turnês e filmes que lhe renderam as pedras do alicerce de sua carreira meteórica. Ela morreu aso 50 anos, por enfermidade renal.
A sua técnica inimitável até hoje assombra pela força, generosidade e destreza:

Para conhecer mais sobre ela, disponibilizamos uma biografia resumida no link abaixo:

Carmen Amaya (espanhol)

CAMARÓN DE LA ISLA


Camarón de la Isla, um artista de vital importancia para se compreender o canto 'jondo' flamenco contemporâneo. Muitos o consideram um dos maiores cantores no gênero. Ele foi um revolucionário do canto espanhol, junto com Enrique Morente, ao provocar o renascimento de um gênero que estava atravessando uma grave crise cultural e criativa no cenário artístico espanhol e ele o fez respeitando a essência do flamenco. 
Sua trajetória profissional, e morte prematura, foram responsáveis por criar legiões de admiradores em todo o mundo até os dias de hoje.

Em 1968 ele iniciou uma renovação e ampliação de sua linguagem musical e a partir de 1979 intensificou seus esforços para fazer da arte flamenca um gênero artístico mundial. Justificava as duras críticas dos  mais 'puristas' dizendo que não fazia sentido cantar da mesma forma que os outros como um 'disco', sem dá algo de si mesmo enquanto produzia e cantava. Tanto imprimiu um toque pessoal e generoso que se tornou marco histórico, mestre de toda uma geração e ícone artístico imortal. Seu trabalho 'La leyenda del tiempo', dentre as 19 magníficas obras discográficas que nos deixou, é o mais comentado e  criticado por sua grande inovação.

    Quer saber mais sobre ele?


CAMARON DE LA ISLA (em espanhol)











11 de out de 2011

FLAMENCO UM GRANDE PARADOXO PESSOAL

Comentário escrito por uma das participantes da Aula de Dança Flamenca, que integra o projeto 'Almodóvar e Kahlo: Estéticas Constituintes para Processos Criativos/UFRN:





"A minha impressão do Flamenco através desse texto e da vivência até hoje é de uma arte que se constrói a cada dia, não existe um conceito fechado, o Flamenco não se encerra, ele é literalmente uma metamorfose ambulante, que por onde passa incorpora elementos, e até se moderniza, porém sem perder sua essência. Comparo com o ser humano, olhamos para as pessoas próximas, ou para nós mesmos e sabemos até de onde viemos, mas não sabemos explicar como nos tornamos o que somos, pois cada pessoa que passou em nossas vidas nos trouxe e também nos levou algo. Cada experiência que vivemos, cada filme, livro, comida, em resumo, tudo o que experimentados ou contemplamos foi um tijolo para a construção do nosso “eu”.
Tampouco sabemos aonde chegaremos, temos diretrizes na vida, mas não somos robôs que apenas seguimos regras ou comandos.
Assim eu vejo o Flamenco, por ter forte influência dos povos ciganos que foram disseminando a Arte Flamenca, podemos imaginar a imensidão de lugares, de pessoas, que passaram pelo Flamenco e também aquelas em que o Flamenco passou por elas, com essa força, essa intensidade tão peculiar.
No texto o que mais me chamou atenção foi o seguinte trecho:
“É uma dança cara por excelência, apesar de suas origens humildes. Ela te exige a alma, o espírito, o corpo e os recursos (financeiros e temporais).”
A cada aula percebo o quanto o Flamenco vai me exigir, é como se fosse preciso arrancar todas as capas, tirar as roupas e até mesmo a pele que usei até hoje. Parece demais, no entanto  logo o medo dá lugar à coragem movida pela curiosidade de saber quem eu sou, quem posso ser e até onde posso chegar.
A mágica flamenca está em encontrar em mim características dessa arte que nem eu mesma imaginei, um grande paradoxo, muitas vezes me vejo distante, outras me sinto tão próxima.
O melhor de tudo, de já sentir o Flamenco é me permitir viver com consciência cada sentimento, o medo do novo e a coragem da descoberta."

Carolina Campos