20 de nov de 2009

VIREI POESIA: QUE FOFO!


Desta vez o sol veio do chão
Mais precisamente dos pés
Da bailarina de flamenco
Pois não há também o sol de nascer
Por entre pregos cravados
No salto do sapato de Bibiana Estevez
Embora claro e forte
Não entrava pela janela o sol habitual
Lá dentro, na sala em penumbra,
Um outro que vem dos subterrâneos,
Do fundo da terra ressurgia
No sapateado da bailarina
A testa altiva, as castanholas
A saia encarnada que rodava
Anunciavam esse outro sol
Sem horizonte, quase sempre inesperado
Girando agora com sua galáxia
Na sala de dança.
                                                       DEMÉTRIO